segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ENSAIO SOBRE A ALEGRIA

Alegria, aventura, contentamento são estados de espírito esporádicos, acidentais, mas também podem ser conquistas diárias.

A questão é: ser alegre com pequenas ou grandes coisas? E mais: ser feliz para quê?
Um político corrupto, locupletando-se impunemente por roubar o tesouro, encontra-se
mergulhado numa aparente felicidade. Esta Alegria é passageira, material, falsa. Não é uma alegria boa, digamos. "Quem faz o homem feliz não é o dinheiro: é a retidão e a prudência", disse Demócrito, o filósofo.

Alegria é um tema recorrente em todos os lugares. Alegria para mim são momentos não estado de espírito. Estado de espírito é a predisposição natural (ou construída) ao otimismo ou ao pessimismo, essa tendência que arquitetamos com o decorrer da vida, de acreditar que pode dar certo ou não, que tem conserto e cura ou que vai ser nossa perpétua infeliz prisão.

Alegria é conceito. Alegria, para mim, é ter com quem contar. É estar ao lado de quem à gente gosta. É o sentimento de contentação frente à realidade que se vive. Não uma contentação no sentido de resignação, passível dos coitados, para os quais tudo tanto faz, mas sim de satisfação com os limites naturais.
Por exemplo? "Não posso ter um Brad Pitt que eu idealizo, mas eu vivo bem com o meu Fernando." ou "Não tenho condições de morar na cobertura na praia de Iracema, mas eu vivo bem em uma casinha na Maraponga. Eu tenho um lar, sabe o significado disso, não?"

O sentido que eu dou a estar contente é esse, nunca a isenção de sonhos e ambições. Jamais a perspectiva de que não se merece mais do que se tem apenas a consciência da alegria do que já se alcançou. Não apenas a premissa de que o futuro vai ser bom, mas também a vivência de que o presente vale à pena.
Na minha concepção é impossível ser feliz sem estar alegre, mas ainda assim é possível ser alegre ou otimista.

Alegria é se sentir realizado nas escolhas que a gente faz, seja para as curvas da nossa história, para os caminhos que tomam nossa vida, na escolha da profissão ou na escolha cega do parceiro de caminhada. É encontrar respostas que aliviam o coração. Alegria é receber aquele telefonema inesperado de quem se preocupa conosco. Ou aquele elogio que remexe a auto-estima. Alegria é ter saúde, é trabalhar naquilo que deseja, é ser você mesmo!

Minha proposta aqui é mostrar que existe algo mais além, porque existem épocas de alegria. Sabe todo aquele lance de sofrimento que gera sofrimento? Com a alegria acontece a mesma coisa. Um momento bom se transforma em meia dúzia, que vira um dia e por pouco, semanas, meses, anos... Ter alegria é ouvir Chico Buarque, cantar que “E você sumiu no mundo sem me avisar, agora era um louca a perguntar o que que a vida vai fazer de mim...” e mesmo na tristeza da música, sacar que alguém em sã consciência teve a sabedoria de escrever uma canção de amor triste, porém alegre para suas filhas. Entende?

O trabalho do compositor, do jornalista, do escritor, é feito disso: de alegres momentos que se tornam inspiração para a vida. A alegria que cito aqui é iluminação. Ultrapassa o visível. Isso é alegria pura, minha gente!

Sabe, sou alegre, algumas vezes, mas tenho um pé atrás com a felicidade, pois exigi mais força, dedicação uma constante procura que muitas vezes não nos leva a lugar algum. Não desenrola.  Procurar a felicidade não deveria ser o norte das pessoas, mas o caminho (composto alegremente de situação corriqueiras). Por isso aproveito quando estou assim “em graça”, para rir mais, desejar bom dia a todos, saber que o pior por este momento cessou em minha vida.

A Alegria autêntica estaria na mente que aprecia também a solução dos problemas cotidianos, os pequenos e os grandes, afinal viver é estar constantemente solucionando ou tentando solucionar problemas, já que até nas horas de entretenimento surgem alguns desafios. Somos felizes quando superamos limites e vencemos obstáculos, certamente.

Mas até que ponto a alegria é útil? Por exemplo, um sujeito infeliz como o escritor norte-americano Edgar Allan Poe deixou-nos tesouros preciosos na Literatura, mas e se ele tivesse sido feliz, criaria suas jóias literárias? Enquanto isso BBBs e os atores globais desfilam alegres e sorridentes apregoando na tevê uma felicidade inútil, fútil, patética, medíocre e, sob certos aspectos, hipócrita.
Devemos lutar por tudo aquilo que possa manter este estado de consciência por mais  tempo. Aquisições são importantes, desde que estejam alinhadas com o cumprimento do nosso propósito.

Vale ressaltar que tudo o que é externo a nós não pode afetar nosso bem-estar, deve chegar apenas para agregar, mas jamais nos afastar dele caso percamos estes bens. A vida deve se tornar um eterno aprendizado e uma auto-superação constante na busca de uma felicidade mais duradoura.

A alegria faz parte de tudo isso em suma...
Alegria não se explica. Se aproveita!

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