segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O depois... A crônica de ontem

A visão ainda é turva e os pés agora cansados, seguem em direção à saída. O sol lá fora, apesar de estar começando a despontar e anunciando mais um domingo de muito calor, cega aqueles que passaram a noite inteira à luz das músicas e fumaça de cigarros.

A subida da Alameda Jaceguai mostra-se muito mais inclinada e o cansaço parece ser ainda maior, a cada passo em direção ao ponto de ônibus. A moça, que pela manhã já não é tão bela, faz par com o rapaz, que não tem mais seu encanto noturno. Seguem em direção ao coletivo, assim como tantos outros que ontem estavam radiantes de sons e bebidas, sorrisos e dança, hoje apenas  sono em seus olhos... nada mais. Reclamando entre si a demora do Parangaba/Mucuripe e da sua lotação, sempre cheio, mesmo de manhã cedo no domingo.

Segue a rua... Há apenas alguns vendedores de lanches, servindo aqueles que tentam matar a ressaca no cachorro quente ou hambúrguer. O cheiro da chapa quente se mistura com a brisa que vem do mar, assim como o lixo, que já foi festa antes, e agora faz parte do carrinho dos garis.
 A rua feita outrora de carros e jovens, num trânsito quase tanto enlouquecedor quanto à batida do DJ, dentro da boate, segue em silêncio pela manhã, também cansada, com a ressaca da noite anterior. Apenas seus moradores teimam em sair cedo, para a saudável caminhada ou à santa missa.

A avenida Monsenhor Tabosa, que também faz parte deste contexto, se mostra agora tímida, sem sua movimentação de carros e vendedores, seus clientes em busca da melhor oferta, seus flanelinhas atrás de alguns trocados, todos agora distantes da agitação semanal.

O barulho do seminário agora é outro, não mais da reforma que parecia não ter fim, atrapalhando o passeio público e incomodando com poeira de cimento as casas vizinhas e que, quase por um milagre, conseguiu chegar ao fim. Seu barulho agora é outro, algo mais suave, que vem de dentro da igreja, todos os domingos para receber seus fiéis.

Assim. segue a monotonia do domingo na Monsenhor Tabosa, concluindo mais um pós festa, descansando em sua ressaca momentânea, esperando mais agitação semanal.

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